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Wannabe Buried!
Sabe o WRY?

Quando se fala de indie rock, é impossível não citar o WRY. "Quem?" É, normalmente é essa a pergunta que surge da boca dos mais novos, dos tardios ou dos desinformados mesmo.
Mas, antes de falar do WRY, vamos nos ater ao significado original do termo "indie rock" (que se perdeu ao longo dos anos): bandas de rock que começaram a construir uma base de fãs e a conseguir sobreviver sem contratos com gravadoras, sem patrocínio de grandes empresas e muitas vezes pagando pra tocar. Essa independêcia proporcionava a estas bandas uma liberdade para criar e para se apresentar, o que muitas vezes as mantinha no underground das cenas locais por serem musicalmente mais experimentais e vicerais, e portanto, menos acessíveis. Por isso, só chegavam aos ouvidos das pessoas pelo boca-a-boca, por zines e outros veículos alternativos.
Isto posto, falemos do WRY.
Influenciados por nomes como The Jesus and Mary Chain, My Bloody Valentine e Legião Urbana (olha o preonceito, heim?!), a banda foi formada em Sorocaba (SP) no longínquo ao de 1994. Na mesma época surgiam outros grandes nomes como Garage Fuzz, Little Quail, Relespública, Virna Lisi e Planet Hemp (pra citar uma realmente famosa). De cara lançaram a demo Morangoland (se achar alguma dando sopa, me avise). Com essa demo a banda conseguiu shows e fãs no circuito independente até que em 1998 lançam seu primeiro cd oficial, o Direct.
O segundo lançamento só veio em 2001: Heart Experience. A esta altura, o WRY já era uma banda conhecida na cena alternativa brasileira e seus shows, sempre enérgicos, mostravam uma banda competente e em constante evolução. Tanto que a essa altura, apesar da sonoridade pouco comercial, a banda havia extrapolado o underground e recebia críticas sempre positivas de veículos como TV Cultura e da então relevante MTV.
Mas o que a banda queria mesmo era realizar um sonho: ir para Londres. E eles foram.
Tanto tabalho para reiniciar do zero em uma terra desconhecida foi recompensando. Após o lançamento do EP Come and Fall, a banda recebe o convite de Tim Wheeler (do Ash) e Gordon Raphael (produtor dos 2 primeiros discos dos Strokes) para que eles produzam o próximo trabalho do WRY. O convite, imediatamente aceito, resultou no disco de 2005, Flames in The Head. Elogiadíssimo (foi por ele que conheci o Wry, por sinal), a banda excursiona pela Inglaterra e pelo Brasil, aumentando a base de fãs e adqurindo o status de cult no circuito independente, mas sempre à parte do mainstream.
Em 2006, outro lançamento: o EP Whales and Sharks coloca o WRY em posição de destaque na cena inglesa principalmente após um show ao lado dos The Subways, Los Hermanos e Ash.
Em 2008 começam a gravação de novas músicas para 2 lançamentos. O já lançado "She Science" e o ainda por vir "Long Term Memory of an Experience". Além disso ainda tem o National Indie Hits, onde prestam tributo a toda essa galera que surgiu com eles lá nos anos 90 (Killing Chainsaw, Low Dream, brincando de deus, Pin Ups e outras).
É, o WRY está com tudo. Mas ainda há que não os conheça em sua própria terra natal. Por isso, estão de volta ao Brasil para ficar. Após 7 anos em Londres, eles voltam da mesma forma: independentes. E ainda mais competentes.
o WRY é talvez o maior exemplo de como ser indie (no sentido original da palavra) sem se perder nas próprias limitações que ser indie trás consigo. São eles que produzem suas músicas. São eles que marcam os shows. São eles que montam e desmontam o palco. E ainda assim fazem um trabalho que merece muito mais do que apenas estas breves e mal esritas linhas.
Façam o seguinte: vão ao myspace deles e ouçam o She Science na íntegra, além das outras músicas que lá estão. E na próxima vez que eles vieram a BH (sim, eles estivram aqui dia 13/08 fazendo uma noite inesquecível para os 102 felizardos que foram à Obra) não percam de maneira alguma o show dos caras.
Porque ser uma banda de indie rock não tem nada a ver com ser uma banda de músicas dançantes e moderninhas como o termo define hoje em dia. Ser uma banda de indie rock é, acima de tudo, ser como o WRY.
Luiz Garcia é publicitário, baterista da Festenkois e fã do Wry.
- AC/DC é o cacete. Isso aqui é show do WRY pô!










